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O RISO AO VIRAR DA ESQUINA

Júlio Couto

340 páginas

15.00 €

 

Mais do que escrever um livro de “coisas engraçadas”… e não só, preferi dar uma visão desta nossa cidade, mas de uma maneira diferente. Nada do que está aqui é inventado, quase tudo foi por nós vivido e algo, pouco, nos foi contado. Não fizemos poesia nem romance (são géneros literários que não são do nosso pelouro), limitamo-nos a deixar correr a memória e a falar as recordações de um Porto, “que são cheiros acres e doces, é transpiração e sorrisos abertos, é lágrimas e tristezas, é aromas a rescenderem a tomilho e rosmaninho” (“O Meu Porto e eu” — 1997), são ilhas e palácios, são universidades e analfabetos, mas são sobretudo, e principalmente, as pessoas… Não são só gente, são gente viva, com nome e identidade, e com quem vivi, aprendi a crescer e a amar, por dentro, cada pedacinho desta cidade que e nossa.
Gente que, felizmemte, na sua maior parte ainda continua viva, e com quem quero partilhar a alegria dos momentos em comum.
Dedicar este livro aos meus sobrinhos e a todos os meus netos (os legítimos e os “emprestados”, a quem quero como se meus fossem…) tem uma razão de ser: saberem eles muito pouco dos antecedentes do avô, que, se não é boa “peça”, não é tão mau como, às vezes, o querem pintar, e que também já teve a vossa idade e a dos vossos pais e tios; que não “nasceu” já de pêra e óculos, mas que cresceu como um rei, viveu como um democrata e amou como um princípe — numa só palavra, viveu como um Homem!
Mas sobretudo, com os seus erros e as suas virtudes, como um homem do Porto, que nunca renegou as suas origens, as pedras da sua cidade e a amizade de tanta da sua gente, de qualquer condição ou bens de fortuna. Obrigada por me terem ajudado a crescer, por fora, deixando intacto o menino que, tantas vezes, continuo a ser. Ingénuo, sonhador, sempre a contar tostões, mas com um capital de amizades que não trocaria nunca por todos os milhões de um qualquer Bill Gaitas americano.

Júlio Couto